domingo, 24 de junho de 2012

Casa

Neste exato momento estou em casa. Casa. Não aquela que moro, mas aquela que sempre chamarei de casa, pois é onde minha família mora. Eu estava há seis meses sem vir para cá, meses que hoje pareceram dias, e dias que pareceram anos. Os mais chegados saberão o motivo, para os menos chegados: o motivo é que me mudei. Me mudei de cidade, me mudei de casa.

É o que sempre dizem, casa é onde nosso coração está, e meu coração estará aonde eu estiver. Hoje vindo para cá, li no avião uma matéria sobre o filme 'Na Estrada', nele Walter Salles descrevia que sua paixão pelos 'road movies' começou quando a primeira imagem que ele se lembrava era o vidro traseiro de um carro e a estrada ficando para trás no horizonte. Também dizia que uma característica forte dos personagens de 'road movies' é que eles sempre buscam o auto-conhecimento, e ele vem justamente pelo conhecimento do desconhecido, sendo o familiar apenas algo casual, não provocando neles nada de especial. Aquilo me chamou atenção, talvez pela identificação. (rimou!)

Talvez seja por isso que eu seja fascinada por viagens e por conhecer coisas até então desconhecidas. Talvez seja por isso que me mudei. Hoje, sou grata ao desconhecido. Acho que posso dizer que minha casa é um lugar desconhecido, ou qualquer lugar que me possa proporcionar o auto-conhecimento, logo a satisfação. O desconfortável é o meu confortável. O desconhecido é o meu familiar. E posso dizer então que justamente aqui, onde me é conhecido e confortável, o tempo longe me proporcionou ao retornar, momentos de auto-conhecimento e até mesmo reconhecimento. Minha casa pode ser um hotel, minha casa pode ser uma estrada, minha casa pode ser um quarto, minha casa pode ser um abraço, minha casa é onde meu coração está aberto e satisfeito. Então pronto... estou em casa.