segunda-feira, 18 de agosto de 2008

"Tudo depende de nós"

Acabo de retornar do cartório (estou escrevendo agora, pois as idéias ainda estão fresquinhas), fui com meu pai, lá conversamos com uma das funcionárias, ou melhor a dona do cartório, uma senhora de 85 anos, completamente lúcida ela nos contou histórias de quando seu pai era prefeito aqui de Campo Grande, de quando Getúlio Vargas veio para cá e conversou com ela, de quando quase matou Marechal Cândido Rondon engasgado com sua limonada, de quando viajou a Paris, de quando as ruas de nossa cidade foram nomeadas com os nomes dos amigos de seu pai e de quando ainda moça seus olhos começaram a falhar.
Relatou tudo com a lucidez e precisão de fatos como se tivessem ocorrido no dia anterior, durante a conversa deixou escapar gírias como: Brotinho, Bamba, Siricotico (acho que é assim..) e Pedaço, como se fossem as gírias mais radicais do momento. Sempre que tenho a oportunidade de conversar com pessoas de mais idade, com experiências e histórias mesmo que inventadas (não que as histórias dela tenham sido inventadas), paro e ouço, ouço e ouço. As experiências dessas pessoas são incríveis, são melhores do que qualquer filme Blockbustter, pessoas que viram uma cidade se transformar, pessoas que não entendem os jovens da atualidade (ela chamou meu PAI de jovem, e perguntou se ele "fica" huauauhaahu), pessoas que mesmo que tenham sido grandes líderes, assim por sua vez alcançado a "feliz idade" se tornam carentes e dependentes de atenção. Mas como é bom e prazeroso dar a eles esta atenção mesmo que por alguns minutos.
Ela me pediu oração pelos seus olhos, mesmo sem me conhecer me desejou boa sorte em minha profissão e em minha vida, segurou em meu braço e me acompanhou até a porta, nos despedimos um par de vezes, ela não queria nos deixar partir, encheu minha tarde que até então antes de sua presença seria pacata e sem graça, de sabedoria, conhecimento, expêriencia e esperança.
E quando eu achava que já havia tido tudo por hoje, quando estavamos saindo da sala dela, ela apontou na parede um vidrinho, no vidrinho estava escrito uma frase que Cândido Rondon havia dito a seu pai: "Nós somos os operários de Nós mesmos; ou nos construímos, ou nos destruímos. Tudo depende de Nós”.
Pronto, aquela senhora desconhecida havia plantado algo novo em minha tarde, em meu dia, em minha vida.

2 comentários:

Jessica disse...

Nossa... Que perfeito... Também queria que minha tarde tivesse sido assim =/ Frase interessante mesmo...

Mariana disse...

q texto maravilhoso...ja li duas vzs...vc ta ficando boa nissoo ein!
essa senhora deve ser uma fofaa! =]
e a frase do Cândido Rondon é amais pura verdade! ...ja copiei e colei na minha sessão de frases! =P
kisses